Por que me chamais Senhor?

Como Encontrar Paz?

Jesus disse:

  • Texto Bíblico: “Por que me chamais: Senhor, Senhor e não fazeis o que eu digo?” (Lucas 6:46)
 

Introdução

A pergunta retórica de Jesus, “Por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” (Lucas 6:46), é uma das mais penetrantes questões que Ele levanta no Novo Testamento. Esta interrogação não é apenas uma reprimenda aos seus ouvintes, mas também uma chamada à reflexão profunda sobre a autenticidade da fé e obediência cristã. Jesus não se contenta com uma devoção superficial; Ele procura uma transformação verdadeira que se manifeste em ações concretas e obediência aos Seus ensinamentos. Este discurso visa explorar essa pergunta de várias perspetivas teológicas, contextuais e práticas, para iluminar o significado mais profundo do chamado de Jesus à obediência genuína.


Contexto Histórico e Teológico; – O Sermão do Monte

 

A pergunta de Jesus em Lucas 6:46 faz parte do Sermão do Monte, um dos discursos mais significativos e extensos de Jesus registrado nos Evangelhos. Este sermão abrange uma ampla gama de tópicos, desde as Bem-aventuranças até ensinamentos sobre amor aos inimigos, julgamento e frutos da fé. O Sermão do Monte é um resumo essencial do ethos do Reino de Deus, onde Jesus estabelece um padrão de justiça que vai além da mera observância legalista da Lei Mosaica. Ao abordar o coração e as motivações dos Seus seguidores, Jesus redefine a verdadeira piedade como algo que deve ser vivenciado internamente e externamente.


O Senhorio de Cristo

 

Reconhecer Jesus como “Senhor” implica mais do que uma simples confissão verbal. No contexto judaico do primeiro século, o título “Senhor” (Kyrios em grego) era um termo de grande reverência, muitas vezes usado para se referir a Deus. Assim, chamar Jesus de “Senhor” é reconhecer a Sua divindade e autoridade suprema. No entanto, Jesus enfatiza que este reconhecimento deve ser acompanhado por obediência prática. A verdadeira fé em Cristo se manifesta na submissão à Sua vontade, demonstrada através de ações que refletem os Seus ensinamentos.


Interpretação Exegética; – Análise do Versículo

 

Lucas 6:46 pode ser dividido em duas partes principais: a confissão verbal (“Por que me chamais: Senhor, Senhor”) e a falha na obediência (“e não fazeis o que eu digo”). Esta estrutura revela a tensão entre a profissão de fé e a prática da mesma. Jesus está confrontando a hipocrisia daqueles que reconhecem a Sua autoridade com palavras, mas não demonstram essa autoridade em suas vidas diárias. Este contraste é uma advertência contra a falsa segurança de uma fé nominal, que não é acompanhada por uma vida transformada.


Aplicação Prática

 

Jesus continua, nos versículos seguintes (Lucas 6:47-49), com a parábola das duas casas – uma construída sobre a rocha e a outra sobre a areia. Esta parábola ilustra vividamente a diferença entre ouvir e praticar Suas palavras. A casa sobre a rocha, que resiste às tempestades, representa aqueles que não apenas ouvem, mas também aplicam os ensinamentos de Jesus. Por outro lado, a casa sobre a areia, que desmorona, simboliza aqueles que ouvem, mas não agem conforme Seus ensinamentos. Esta imagem reforça a importância de uma obediência prática e sólida como fundamento para uma vida espiritual resiliente.


Relevância Contemporânea; – Obediência na Vida Diária

 

A questão levantada por Jesus continua a ser extremamente relevante para os cristãos de hoje. Em uma era onde a fé pode ser muitas vezes reduzida a rituais e declarações públicas, a chamada à obediência prática é um lembrete poderoso de que a verdadeira devoção a Cristo envolve um compromisso profundo e transformador. Ser um discípulo de Jesus significa seguir Seus ensinamentos em todas as áreas da vida – desde as decisões éticas no trabalho até a maneira como tratamos os outros em nosso quotidiano.


Desafios Modernos

 

Vivemos em uma sociedade que valoriza a individualidade e a autonomia pessoal. No entanto, o chamado de Jesus à obediência requer uma submissão voluntária à Sua autoridade, que muitas vezes vai contra a corrente das normas culturais contemporâneas. Por exemplo, práticas como o perdão incondicional, o amor aos inimigos e a renúncia ao materialismo desafiam diretamente os valores predominantes da sociedade moderna. Portanto, os cristãos são chamados a viver contra culturalmente, demonstrando através de suas ações a diferença que a fé em Jesus faz.


Implicações Espirituais; – Autenticidade da Fé

 

A pergunta de Jesus serve como um exame da autenticidade da nossa fé. Ele desafia cada crente a refletir sobre se suas palavras de devoção correspondem às suas ações. A fé autêntica é evidenciada pela obediência aos mandamentos de Cristo, não apenas nos momentos de culto e adoração, mas em cada aspeto da vida. Este chamado à autenticidade é um convite a uma introspeção honesta e a uma renovação do compromisso com os ensinamentos de Jesus.


Discipulado e Transformação

 

O discipulado cristão é um processo contínuo de transformação à imagem de Cristo. Jesus nos chama a uma vida de discipulado onde a obediência não é um fardo, mas uma resposta amorosa à Sua graça e misericórdia. Esta transformação envolve uma renovação da mente e do coração, onde os valores e prioridades do Reino de Deus se tornam os nossos próprios. A obediência a Jesus é, portanto, tanto um ato de submissão quanto de libertação, pois nos liberta do domínio do pecado e nos alinha com a vontade divina.


Conclusão

 

A pergunta de Jesus, “Por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” é uma chamada à ação para todos os cristãos. Ela nos desafia a ir além da confissão verbal e a abraçar uma obediência prática que reflete a verdadeira fé em Cristo. Neste processo, somos convidados a viver de forma contra-cultura, demonstrando através de nossas vidas a realidade transformadora do Evangelho. Ao responder a este chamado, encontramos uma fé que é não apenas professada, mas vivida com integridade e profundidade.


by, Apóstolo José